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Especialistas alertam para riscos de pomadas após perda de visão de Cacau Protásio

26/03/2026

A atriz perdeu a visão temporariamente após sofrer uma reação alérgica causada pelo uso de uma pomada para modelar os cabelos e precisou de atendimento médico de emergência




Cacau Protásio surpreendeu os seguidores ao revelar que chegou a perder a visão, de forma temporária, após sofrer uma reação alérgica devido ao uso de uma pomada para modelar cabelo. A atriz ficou com o olho direito completamente verde e precisou de atendimento médico de emergência.
O oftalmologista Vinicius Marques esclareceu como a reação alérgica é causada: “Essas pomadas possuem substâncias químicas bastante irritantes. São os fixadores, conservantes e corantes, que normalmente têm uma acidez inadequada para a superfície ocular. Além disso, normalmente são oleosas, o que acaba provocando uma aderência na superfície dos olhos. O resultado é uma agressão, uma inflamação intensa da superfície ocular. A gente precisa entender que esse produto é feito para o cabelo, e não para a mucosa, que é a superfície do olho, nem para a córnea, que é a nossa lente externa”, disse.

Segundo o especialista, os riscos são reais: “Dor, lacrimejamento e desconforto com a luz, porque o que acontece é uma queimadura química. De maneira geral, a córnea sofre uma queimadura e fica mais inchada, o que causa uma visão turva. Isso pode ser transitório, mas, em casos mais graves, pode levar a uma ferida e causar uma úlcera de córnea. Não é só uma irritação, o risco é de uma queimadura química da córnea”, destacou Vinicius.

Já o médico oftalmologista Gustavo Bonfadini, especializado em doenças da córnea e cirurgia de catarata, ressaltou que este não é um episódio isolado: “Temos observado um aumento significativo de lesões oculares relacionadas ao uso desses produtos, principalmente em períodos de calor, como no verão”, avaliou.

“Essas pomadas modeladoras, apesar de serem amplamente utilizadas como cosméticos, não foram desenvolvidas para qualquer tipo de contato com os olhos. Muitas possuem base oleosa e substâncias químicas que, ao entrarem em contato com a superfície ocular, aderem com facilidade e não são eliminadas rapidamente pela lágrima. Isso faz com que permaneçam em contato prolongado com a córnea, levando a um quadro conhecido como ceratite química, que pode variar desde uma irritação leve até lesões profundas e potencialmente graves”, ressaltou Bonfadini.

O oftalmologista ainda explicou a mudança de cor do olho de Cacau Protásio, que passou a ficar esverdeado: “Uma das manifestações que mais chamou a atenção no caso da atriz foi a mudança aparente da cor dos olhos, descrita como um aspecto esverdeado. É importante esclarecer que isso não significa que a íris mudou de cor. O que ocorre, na verdade, é um edema de córnea, ou seja, um inchaço da estrutura mais transparente do olho. Esse edema altera a forma como a luz atravessa o tecido, podendo gerar reflexos e tonalidades diferentes, como esse aspecto esverdeado ou opaco. Em alguns casos, também pode haver uma espécie de película formada pelo próprio produto químico na superfície ocular, contribuindo para essa alteração visual”, disse Gustavo.

“Em relação à recuperação da visão, tudo depende da profundidade e da extensão da lesão ocular. Nos quadros mais leves, a recuperação costuma ser completa, ocorrendo em poucos dias ou semanas após o tratamento adequado. No entanto, em casos mais severos, pode haver dano permanente à córnea, com necessidade de tratamentos mais complexos, incluindo, em situações extremas, o transplante de córnea. Por isso, o tempo entre a exposição e o início do tratamento é um fator decisivo para o prognóstico”, concluiu Gustavo Bonfadini.


O que fazer caso produto químico entre em seu olho?

A conduta inicial correta é imediata e pode fazer toda a diferença: lavar abundantemente os olhos com água corrente ou soro fisiológico por pelo menos 15 minutos, sem interromper. É fundamental evitar o uso de qualquer colírio por conta própria e procurar atendimento oftalmológico o mais rápido possível. O tratamento adequado pode incluir colírios lubrificantes, anti-inflamatórios e, dependendo do caso, antibióticos, sempre com acompanhamento médico.

A prevenção, no entanto, ainda é o melhor caminho. É importante evitar aplicar esses produtos próximos à raiz do cabelo ou à testa, utilizar pequenas quantidades, nunca usar produtos sem registro ou de procedência duvidosa e ter cuidado redobrado em situações de calor ou suor, que facilitam o escorrimento da substância para os olhos. Além disso, durante a lavagem dos cabelos, o ideal é inclinar a cabeça para trás, reduzindo o risco de contato com a superfície ocular.



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